sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Lorotas Pibarianas

1) Há algumas horas o IBGE divulgou o resultado do PIB brasileiro no primeiro semestre de 2010. E o percentual de crescimento foi digno de motivar uma festa daquelas bem ufanistas. Afinal, de acordo com o dado oficial, o Brasil registrou o maior crescimento econômico dos últimos 14 anos: 8,88% na comparação com o período compreendido entre janeiro e junho do ano passado.

 
2) Como já disse em outras análises, é fácil crescer sobre uma base comparativa deprimida. O primeiro semestre do ano passado foi o epicentro da crise mundial e naquela época o PIB brasileiro acabou recuando 1,9%. No caso em questão, um cálculo mais realista seria comparar o crescimento médio semestral entre 2010 e 2008. De acordo com essa lógica, o desempenho médio do país no período ficou em 3,36%, o que não tem nada de espetacular.

3) Ainda mais: simplesmente o fato de o PIB crescer não quer dizer que esse crescimento está em acordo com os interesses nacionais. Veja, por exemplo, que a expansão da indústria de transformação entre o primeiro semestre de 2008 e o mesmo período de 2010 foi de mirrados 1,14% (média anual 0,57%); a agropecuária ficou com 4,56% (média de 2,25%); e o comércio, com desempenho melhor, cresceu 7,9% (média de 3,9% ao ano).
 
4) Bom mesmo foi desempenho da arrecadação de impostos federais, com alta de 9,38% ( média de 4,6% ao ano) e da intermediação financeira - leia-se bancos - com generosos 15,52% (7,48% ao ano), grande parte dos quais por conta da apropriação de parte do desempenho do comércio. Em resumo, quem mais enriquecendo no país é o governo e o setor financeiro. Será que isso é estrategicamente interessante? Acredito que não.

5) um outro aspecto que não pode ficar fora de visão é que os dados do PIB refletem a realidade de janeiro a junho deste ano. Entretanto, checando o calendário verifico que estamos em setembro, momento no qual a realidade econômica é bem diferente. O desempenho industrial do país, depois de rápida recuperação no início do ano (em relação a 2008, para que 2009 não serve como base comparativa realistas) voltou a cair. Em julho a queda já chegou a 2,8%, centrada especialmente no setor metal mecânico que é o maior gerador de valor agregado da indústria nacional.
 
6) Outros dados preliminares, ainda não oficiais, dão conta do esgotamento da capacidade de crédito do consumidor brasileiro em acompanhamento com a desaceleração das vendas físicas do comércio.
 
7) Em síntese, insisto que a euforia dos números de curto prazo são circunstanciais e temporárias. A taxa de investimento no Brasil está em níveis ridículos, tanto no âmbito público como privado, e isso compromete o desempenho futuro da economia. Deseja-se, evidentemente, o melhor para o país. Mas a bem da verdade, miopia pré-eleitoral nunca fez bem a ninguém.



Curtas





1) Até ontem, a estrada que liga a China ao Tibete comemorava o seu terceiro dia de engarrafamento ininterrupto de 120km. Na semana passada foi debelado outro congestionamento que chegou a durar 9 dias. Isso se chama “colapso do sistema de trânsito”. Ocorre quando o espaço rodoviário por carro fica tão restrito, que o melhor é abandonar o veículo e seguir a pé. O Brasil não está longe de viver esse fenômeno. A solução é aumentar a infra-estrutura rodoviária, melhorar a qualidade e quantidade dos transportes públicos e diminuir o tamanho dos veículos em circulação.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Os Olhos de Carolina e a Indústria Dançando

Tem razão do Sr. Wilson Telles de Lima quando diz que Chico Buarque de Holanda (por falar nisso, parabéns atrasado à Dona Guiomar) foi e é o melhor compositor brasileiro.


Lembrei desse tema, a meu ver nada polêmico, quando, ao mesmo tempo em que as manchetes da internet destacavam o terceiro mês consecutivo de queda da produção industrial , na rádio tocava a primorosa obra “Carolina”.

Relembrando (espero que com a concordância de nosso compositor maior):

Carolina,
nos seus olhos fundos guarda tanta dor,


a dor de todo esse mundo
Eu já lhe expliquei, que não vai dar,
seu pranto não vai nada ajudar
Eu já convidei para dançar,
é hora, já sei, de aproveitar
Lá fora,amor,
uma rosa nasceu, todo mundo sambou,
uma estrela caiu
Eu bem que mostrei sorrindo,
pela janela, ah que lindo
Mas Carolina não viu...


Carolina,

nos seus olhos tristes, guarda tanto amor,
o amor que já não existe,
Eu bem que avisei, vai acabar,
de tudo lhe dei para aceitar
mil versos cantei pra lhe agradar,
agora não sei como explicar
Lá fora, amor,
uma rosa morreu, uma festa acabou,
nosso barco partiu.
Eu bem que mostrei a ela,
o tempo passou na janela
e só Carolina não viu
Chico Buarque de Holanda, 1967
A pergunta que faço é que, se ela realmente existiu, como estaria o estado de espírito de Carolina quando inspirou Chico Buarque.

Imagino uma mulher bem jovem, quase adolescente, depressiva, que se recusava a admirar, viver as coisas belas da vida, fechando-se também para a beleza que existe em certos eventos mais aquietantes (a morte de uma rosa; o final de uma festa).


E se recusar a ver a realidade tal qual ela é, igualmente está contido na patologia oposta: são os maníacos (como dizem os terapeutas da mente) que mostram euforia em excesso.

Na recente história do país, podemos observar claramente esses dois fenômenos: no final da ditadura militar e primeiros anos da democracia, o povo brasileiro mostrava baixíssima auto-estima; o estereótipo do malandro irreverente dava espaço para chinelão incompetente, muito bem expresso no personagem criado por outro Chico – o Anísio. Falo do ainda famoso “vampiro brasileiro”... e dos olhos tristes de Carolina.

Mas ao longo de mais uns poucos anos, esse auto-retrato do Brasil foi mudando. A conquista da Copa do Mundo de 2002 e a carona que o país tomou em um momento histórico de rápido crescimento da economia mundial mudou o semblante do brasileiro médio.

De fato, a atual década foi predominantemente generosa com o Brasil, viabilizando importante aumento do poder de consumo, seja por melhoria de remuneração, projetos assistencialistas, ou mesmo pelo alongamento do prazo médio de endividamento das pessoas físicas e ampliação da base “socialmente incluída” no acesso ao crédito.

Entretanto, com uma forte ajuda do poder público, grande parte dos trabalhadores, políticos, empresários e profissionais liberais acabou perdendo o senso crítico da realidade da economia; seus riscos e pré-avisos de problemas no horizonte.



Até parece coisa de neurolingüística dos tempos do Sarney na presidência com o slogan “tem que dar certo”... lembra?

Mas o fato é que após um breve susto nos últimos meses de 2008 e primeiros de 2009 veio a propaganda oficial dizendo que o Brasil era um país melhor do que os demais, pois havíamos saído da crise antes dos outros.

E não é que a lorota colou? Desde o ano passado venho avisando através desse blog que as análises oficiais da economia brasileira apresentam apenas a faceta mais conveniente da realidade; não a mais correta.

E com a divulgação por parte do IBGE do terceiro mês consecutivo de queda da produção industrial (comparação frente ao mês anterior), o que foi taxado pelos meus críticos de negativismo, começa a tomar contornos mais palpáveis e coloca em cheque a propaganda oficial ufanista (e por isso mesmo ilusória).

Veja a ilustração a seguir: na esquerda ela mostra o tal do espetáculo de crescimento.

Ali se demonstra que a produção industrial do país chegou a registrar crescimento de 20,12% em março último na comparação com o mesmo mês de 2009. Mas também está bem indicado que o ritmo de expansão das fábricas vem se reduzindo rapidamente, apesar de ainda fechar junho com generosos 11,14% de alta.



Mas agora, vamos prestar atenção naquelas barras mais tímidas do lado direito da imagem em foco. Lá está sendo medido mensalmente o desempenho da indústria do país em comparação com a produção física do mesmo mês de 2008.

E o que vemos? Queda no primeiro bimestre; ensaio de recuperação no segundo; e novo aprofundamento da retração da produção das fábricas no terceiro trimestre de 2010.


Agora, a pergunta que não quer calar: por que os dados entre 2010 e 2009 são tão elevados e a comparação entre 2010 e 2008 mostra literalmente uma porcaria de resultados?

Simples, o fato é que as fábricas do Brasil estão estagnadas e se aproximando de nova recessão. Em resumo, o conjunto de dados da esquerda não passa de uma lorota irresponsável.

A anti-Carolina provavelmente olharia para tais informações e sairia cantando com bandeirinhas “esse é um país que vai para a frente...” (marchinha ufanista da ditadura, nos anos 70).

Bem, fazer o que? Talvez continuar tentando mostrar o que é o mais próximo da realidade.

Para contrapor essa abordagem seria inteligente questionar a respeito dos dados do comércio varejista, que continuam em alta. A resposta para isso é simples: a ampliação da base de consumidores por assistencialismo e democratização do crédito fez o seu serviço.

Porém essas duas importantes variáveis estão se esgotando: as contas públicas estão prestes a ficar em cacos, enquanto a capacidade de endividamento das pessoas físicas está a um passo de extrapolar os limites do razoável, ainda mais com os juros em ascensão.



O agronegócio, é verdade, está literalmente salvando a pátria. Se bem que os produtores de grãos estão externando dificuldades e buscando renegociar suas dívidas...

Enfim, o que o cenário nos mostra é um sinal de alerta. Mas se em tempos normais tais indicativos são escondidos, imagine em temporadas eleitorais?



O fato é que o próximo presidente ou presidenta da república terá sérios desafios logo nos primeiros meses de governo... Pode ser que o contexto que me inspirou a reproduzir a insuperável Carolina se transforme ao ponto de mudar o fundo musical em pauta, para outra composição do genial Chico Buarque..


...Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando e também sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão...

Trecho de Meu Caro Amigo, de Chico Buarque de Holanda e Francis Hime


        

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Os Juros e a Fábrica de Dinheiro

Dias antes de o Banco Central aumentar os juros pela terceira vez consecutiva, os fofoqueiros de plantão do mercado financeiro já antecipavam isso, valorizando a informação como se ela fosse um segredo de estado descoberto através de fontes secretas... e bem perigosas!.

Na verdade, o clima de mistério era apenas dramatização. Os sinais antecipados das autoridades monetárias tornavam evidente que o juro brasileiro iria ser ainda mais turbinado nesse final de julho. Os boatos plantados serviram apenas para esfriar as animosidades dentro daquele conceito do "Ah, eu já sabia".
 
E realmente funcionou. Empresários, trabalhadores, debatedores de boteco e outras categorias que deveriam ficar pê da vida com a situação, mostraram certa conformidade.
 
Entretanto, esse blog não vai deixar de demonstrar sua indignação quanto ao aumento dos juros.  O ato foi desnecessário, pelo menos dentro das justificativas usadas pelo Banco Central. Afinal de contas, o risco inflacionário (centro dos argumentos para alta de juros) é inexistente. Inclusive, os índices de preços estão mostrando tendência de deflação, o que pode ser interpretado como sinal recessivo.
 
Mas então, por que será que os membros do Conselho Monetário Nacional decidiram fazer tamanha maldade com a economia brasileira?

 
Inicialmente, elencaremos três aspectos que podem estar influenciando essa decisão:

1) vale ainda a tese de que a cúpula das autoridades monetárias brasileiras não querem que a candidata governista às eleições presidenciais seja a vencedora. Afinal, subir de juros sem justificativa clara em período de campanha é pedir por favor para perder o governo;

 
2) a gestão das contas públicas brasileiras continua extremamente dependentes do capital externo especulativo. Como em alguns pontos do mundo os bancos centrais mostram sinais de subir os juros, a autoridade monetária de nosso país resolveu sair na frente, oferecendo melhor remuneração aos seus credores para evitar evasão de recursos externos;

 
3) e agora vem a bomba: por algum motivo, a casa da moeda voltou a fabricar dinheiro em ritmo maior do que a necessidade de reposição de cédulas e do crescimento da demanda por dinheiro vivo.

Observando a ilustração abaixo, fica claro que a emissão de papel-moeda nos últimos doze meses está se aproximando de um crescimento de 15% em julho, frente igual período do ano anterior.

Sem maiores delongas, isso significa que as autoridades monetárias estão criando pressões inflacionárias através da emissão. Talvez o governo esteja precisando de dinheiro e venha o fabricando para não deixar escancarado algum aumento de dívida. Mas tal mecanismo acaba pressionando os níveis de preço, sendo a alta dos juros um instrumento para conter a inflação derivada dessa travessura.

 
E na ilustração em questão também fica bastante evidente que existe alta correlação entre a elevação da Selic e a aceleração da emissão de papel-moeda.
Isso fará bem à toda sociedade. O governo é que não vai gostar muito de disciplinar um pouco seus gastos. Mas se os gestores públicos não fizerem isso, quem paga a conta acaba sendo cada um de nós.




Sendo assim, a sugestão dessa sexta-feira é que se mande e-mails para a casa da moeda, pedindo encarecidamente, que tirem o pé do acelerador na fabricação de dinheiro.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Brincando de Céu de Brigadeiro

Tenho um grande amigo que não vou dizer o nome para evitar que ele se torne um inimigo e me processe.

Mas já tem muitos anos que eu o chamo pelo apelido de zebu. E quando isso acontece, ele me olha de forma muito séria e responde com um singelo "mu".

Advogado de formação, o zebu ao qual me refiro teve um sonho na sua vida não realizado: queria muito aprender a pilotar aviões. Mas uma agenda demasiadamente ocupada não permitiu, ainda, que frequentasse aulas de pilotagem.

Com a intenção de provocá-lo, acho que isso faz muito bem para os céus do mundo, uma vez que seu desempenho na condução de carros é lamentável; do tipo que é capaz de transformar, em alguns meses, um automóvel de médio ou grande porte em um carro compacto.

Bem, para saciar seu desejo de pilotar aeronaves, nos últimos anos ele tem se contentado com simuladores de vôo para computadores. Há algum tempo o zebu fez tanta propaganda sobre o hobby, que me convenceu a também comprar o software.

Depois de algumas tentativas frustradas de decolar, pousar, ou mesmo conduzir um avião durante vôo, tive a certeza que a Airbus tem sorte de não me ter como piloto de testes. Só sobraria sucata!
 
Lembrei dessa situação pouco depois de ler várias análises entusiasmadas a respeito do recorde de geração de emprego formal no Brasil no primeiro semestre desse ano.

De antemão, já afirmo ao leitor que tem um pouco de lorota nessa história.

Sim, entre janeiro e junho de 2010, o mercado de trabalho no Brasil aumentou a oferta de vagas em 1,47 milhões de postos de trabalho.


O problema é que a geração de empregos no mesmo período de 2009 foi tão pequena por conta da crise global (menos de 300.000 vagas), que o número subseqüente, após passar da fase aguda do colapso financeiro internacional, só poderia ser espetacular mesmo. Tal contexto não dá mérito algum a uma eventual eficácia de políticas econômicas.

 
Veja na ilustração acima que nos anos anteriores o número de vagas formais disponíveis no mercado de trabalho brasileiro vinha crescendo gradativamente e despencou em 2009.

Para ser bom mesmo, o dado do primeiro semestre de 2010 deveria compensar o fiasco do ano anterior e crescer pelo menos um pouquinho.

Mas o fato se mostra muito diferente. Na média dos dois anos em foco, foram criados 886 mil empregos com carteira assinada, o que é, inclusive, inferior ao resultado de quatro anos atrás, quando a economia brasileira nem estava tão aquecida.

E dentro desse contexto, o que me parece mais comprometedor é que esse tipo de informação distorcida está sendo usada para maquiar uma realidade econômica do Brasil que não é lá muito tranquila.

 
Por isso me lembrei de meu amigo zebu.

O simulador de vôos que ele tanto aprecia tem o poder de criar uma infinidade de faz de conta, em termos de situações que uma aeronave pode enfrentar: desde o tão falado céu brigadeiro, ou até mesmo intensas turbulências.
Mas quando se distorce informações da realidade econômica de um país, as possíveis conseqüências não tem nada de simuladas: se está induzindo ao erro empresas e pessoas bem reais.

 
É lamentável, mas na medida em que as eleições forem definidas e o futuro presidente ou presidenta tomar posse, uma verdade não muito agradável tenderá a começar a aparecer. Mas daí será tarde para que a sociedade brasileira possa debater democraticamente os rumos a serem seguidos.

Afinal, em nosso modelo político, o eleitor só pode intervir na administração pública a cada quatro anos, mesmo que os compromissos assumidos pelo candidato eleito não sejam cumpridos.

Começo a ficar convencido de que um Brasil parlamentarista, onde os governos que não cumprem suas promessas são derrubados, seria, no longo prazo, bem mais saudável para o desenvolvimento nacional.



Curtas

 
Juros em Alta - Pelo terceiro mês seguido a taxa média de juros subiu para as pessoas físicas. De acordo com a Anefac, a remuneração do crédito, em junho, ficou em 6,9% ao mês, o que é equivalente a 123% ao ano. O maior vilão da história é o cartão de crédito, cujos juros analisados chegam a bagatela de 238%. Diante de tais números, é sempre recomendável pensar muito bem antes de se endividar, ou mesmo extrapolar o orçamento mensal.
 
Recorde Tributário - No primeiro semestre a arrecadação de impostos federais chegou a R$ 382,9 bilhões, o que é o maior patamar de receita pública obtida na história do Brasil nesse período. Os tributaristas de plantão justificam esse resultado a patir de uma composição de fatores que incluem fim do benefício de IPI para vários produtos, melhoria da fiscalização e outras medidas que descaracterizariam o aumento de carga tributária. Pura mentira: a conta é muito simples. A arrecadação aumentou 18% em comparação ao primeiro semestre do ano passado, enquanto o PIB subiu 9% (por conta da base comparativa deprimida). Ora, se o dinheiro destinado aos cofres públicos aumentou mais do que o crescimento da economia, é lógico que a carga fiscal cresceu. E mente quem diz o contrário. O pior é que esse dinheiro não vai melhorar a qualidade dos serviços públicos; só vai deixar a conta bancária de cada um de nós mais pobre...

 
Reforma Financeira nos EUA - O Presidente norte-americano ainda deve estar festejando a última vitória política, ao aprovar no Congresso sua proposta de reforma financeira. A nova Lei, com duas mil e tantas páginas, torna bem menor a liberdade dos bancos para assumir riscos empresariais. A nova regulamentação é a resposta do Estado ao trauma que ficou das trapalhadas dos financistas, o que acabou desencadeando a crise iniciada em 2008. Porém, se a dose de engessamento for excessiva, os EUA podem estar prestes a dar adeus à característica mais marcante do sucesso econômico do país: a coragem para assumir riscos empresariais; a liberalidade de falir e aprender com os erros para se levantar de novo e ter sucesso. Bem, cada povo com as suas decisões...


terça-feira, 6 de julho de 2010

A Maldição da Bolsa de Valores

Imagine o seguinte: em fevereiro de 2003 você chegou das férias e gastou bem abaixo do esperado. Sem saber direito o que fazer com dinheiro que sobrou, resolve ouvir o palpite de um amigo e investir na bolsa de valores R$5.000,00.



E não precisando do dinheiro, acaba deixando aquela aplicação de lado, até esquecer da sua existência. Mas lá por março de 2010, depois de anos, você presta atenção a um pequeno envelope que chega pelo correio. É o extrato da corretora de valores, informando os lucros de investimento na bolsa para fins de imposto de renda. Uma feliz surpresa: estava a sua disposição pouco mais de R$23.000.

Como fizemos esse cálculo descontando a inflação, o valor sobe o qual estamos tratando é real. Ou seja, em sete anos a rentabilidade do índice Bovespa foi de 366%, sendo isso equivalente a um ganho médio de 24,6% ao ano. Provavelmente, nem com a agiotagem se ganha tanto dinheiro.

Diante dessa simulação, baseada em um contexto econômico real, é importante questionar qual a base de sustentabilidade de resultados tão espetaculares do mercado de ações do Brasil. De antemão, já dá para descartar da imaginação a idéia de que as empresas brasileiras de capital aberto cresceram o dobro da economia chinesa nos últimos sete anos.

Aparentemente, o fenômeno em questão foi ocasionado por quatro fatores principais, quais sejam:

1) a eventual eleição de Luís Inácio da Silva era vista como forte risco empresarial no Brasil, haja vista o discurso de estatização que predominava (e ainda predomina) no âmbito das lideranças do Partido dos Trabalhadores. Mas o então novo presidente optou por garantir a legitimidade do mercado privado e isso aumentou a confiabilidade do mercado de ações, que acabou recebendo mais investimentos já a partir de 2003;

2) o dinheiro no mundo ficou muito barato e os aplicadores buscaram alternativas mais rentáveis do que investir em títulos da dívida de países com boa situação financeira. O Brasil foi uma das nações premiadas com esse tipo de especulação, que acabou multiplicando a movimentação do mercado de ações;

3) através de competentes campanhas, a bolsa de valores de São Paulo perdeu seu ar aristocrata e passou a ser mais acessível à classe média, seja via corretoras e bancos, ou mesmo pela Internet. Evidentemente, com mais pessoas dispostas a investir, o preço das ações subiu acima das expectativas da evolução do valor patrimonial das empresas;

4) especialmente entre 2006 e 2008 (mas também no final da década de 90) o equivocado consenso de que a economia mundial passava por uma nova era; de crescimento acelerado e eterno, acabou criando o que se chama de bolhas especulativas, aumentando demasiadamente o valor das ações. Tais bolhas estouraram nos principais mercados do mundo; mas no Brasil ganharam sobrevida ou se recuperaram mais rapidamente em função dos outros três fatores mencionados.

Mas, enfim, independentemente se foram por razões consistentes ou mero ilusionismo, o fato é que o índice Bovespa acabou se acelerando em demasia e pelas suas características cíclicas, conforme demonstra ilustração abaixo, tende a registrar sensível recuo, antes de nova fase de expansão.



Na verdade, a crise global iniciada em setembro de 2008 chegou a promover tal correção de valor. Entretanto, o poderio especulativo foi forte o suficiente para reverter a situação.

Com o recrudescimento da crise na Europa, além de incertezas no cenário econômico mundial e brasileiro, o iBovespa fechou junho em baixa, tendência essa que continua em julho, apesar do pregão ter fechado em alta nesse dia 7.

Talvez estejamos em meio ao começo dessa correção cíclica para baixo, ou o fenômeno demorará mais algum tempo para ocorrer.

De acordo com os parâmetros identificados nas situações similares ocorridas anteriormente, o "fundo do poço" tende a estar ao redor dos 45.000 pontos.

É esperar para conferir!

 

Curtas




1) Todos os indices de preços ao consumidor mostram que a inflação que causou duas altas consecutivas da SELIC simplesmente se evaporou junto com a água do excesso de chuvas no sul e sudeste. Comprovadamente os membros do Comitê de Política Monetária do Bacen estavam errados, ou não querem Dilma Rousseff na presidência do Brasil.



terça-feira, 22 de junho de 2010

As Jabulanis na Economia

A copa do mundo da África do Sul começa a definir as seleções que irão às oitavas de finais. E o interessante é que os times classificados estão razoavelmente fora do que seria esperado em uma situação de normalidade.

No caso o que estaria acontecendo de anormal? Uma tese meio xenofóbica, mas não completamente despropositada, defende que o fiasco das principais seleções européias está no fato de os jogadores naturais daquele continente terem muito pouco espaço nos times da primeira divisão dos países em foco, que preferem contratar craques estrangeiros sem a preocupação de formar categorias de base.



Entretanto, a justificativa dos jogadores é bem mais interessante e engraçada. Segundo eles, a culpa é da bola. Sim, isso mesmo, a culpa é da bola produzida pela Adidas

Dá até para pensar que eles estão sugerindo que é melhor jogar futebol com quadrado, triângulo, ou até bumerangue. Mas alguns cientistas resolveram levar a sério e estudar a situação. Descobriram uma coisa interessante: as bolas têm tolerância limitada a levar pontapés. Em um determinado momento após o chute, a pelota entra em processo de exaustão e perde a estabilidade, provocando desvios na rota inicial do lançamento.

Os bons jogadores sabem formal ou intuitivamente sobre isso e aproveitam o fenômeno para contar com curvatura que surpreendem barreiras e goleiros.

O problema é que a protagonista do mundial em 2010, a Jabulanis, apesar de ser feita para chutar, tem menos tolerância aos pontapés e desestabiliza bem antes do que as outras bolas.

O fenômeno é o responsável por algumas das mais incríveis surpresas da copa do mundo, penalizando tanto goleiros como jogadores; mas sendo o fator de sorte em outras situações.

Bem, algo que desestabiliza antes do esperado tem muita relação com a dinâmica da economia mundial e brasileira dos últimos anos. A verdade, é que depois de setembro de 2008 várias das mais convincentes certezas mostraram-se grandes e vergonhosas besteiras, especialmente no que diz respeito ao mercado de títulos e real poder dos países mais ricos do mundo em manter a estabilidade de suas próprias economias.



E enquanto os jogadores da Copa do Mundo vão tentando aprender a lidar com a Jabulani, a escassez de notícias mais relevantes no campo econômico nos fazem diversificar um pouco o tema central desse blog, que passa a tratar de questões menos urgentes, mas nem por isso desimportantes. Então vamos a elas.



O Congresso dos EUA apóia o Partido Verde...do Brasil – Existe sentimento mais nobre do que proteger a natureza? Claro que sim; mas não é politicamente correto dizer isso. Mesmo assim, seria bom para nós brasileiros deixar os romances restritos à literatura e buscar formas mais pragmáticas de tratar com os interesses públicos.



Um exemplo bem claro dessa idéia de pragmatismo é o documento elaborado pela ONG "Avoied Deforestation" entitulado "Fazendas Aqui, Florestas Lá" que analisa as vantagens econômicas para os Estados Unidos no momento em que os congressistas do país debatem mudanças do código florestal.

A idéia básica do documento é que apoiar a eliminação do desmatamento nos países tropicais como o Brasil fará com que a agricultura norte-americana tenha grande prosperidade.

Segundo estimativa dos autores, se em 2030 o desmatamento nos trópicos for eliminado, o buraco da oferta de soja, carnes e dendê geraria um ganho adicional de US$270 bilhões para o setor primário dos Estados Unidos, que por conta disso passaria a apoiar a concessão de créditos de carbono ilimitados pelo desmatamento e tropical evitado.

Pelo lado do Brasil é evidente que apesar do apelo ambiental, isso significará perda de geração de riquezas. Estudos mais avançados mostram, por exemplo, que a produção primária de nosso país pode ser duplicada pelo simples uso de áreas já degradadas com aptidão para a agricultura.

O dado mais importante do citado estudo é que há um mercado adicional para alimentos no globo estimado em US$270 bilhões para daqui a vinte anos. A questão chave é se o Brasil deve ir atrás da maior parte desse dinheiro, ou se contentar com uma mesada muito menor do que essa, como compensação por não produzir.

Os fundamentalistas do Partido Verde optariam pela segunda opção. Mas o mais razoável seria deixar a receita dos créditos de carbono para áreas realmente estratégicas de preservação da biodiversidade, além daquelas de pouco uso agrícola e que seriam realmente mais rentáveis para produzir oxigênio.



Se esse estudo em foco fosse equivalente a uma Jabulani, o lançamento da seleção dos EUA foi meio torto. Oportunidade de o Brasil matar a bola no peito e contra-atacar.







Engenheiros sem Engenhosidade - Impressionante o dado apresentado recentemente pela CNI: de acordo com entidade máxima de representação dos industriais, cerca de 150.000 vagas de engenheiros não terão como ser preenchidas até 2012 em função da falta de profissionais no mercado. E o problema não está na disponibilidade de vagas nas faculdades do gênero.

O Brasil tem 1374 cursos de engenharia. Entretanto,80% dos estudantes acabam não se formando. Em outras palavras, de 150.000 pessoas que iniciam o curso, apenas 30.000 obtém o diploma.



O estudo, coordenado pelo ex-reitor da USP, Jacques Marcovitch, também destaca que só um entre quatro estudantes possui a formação adequada no ensino básico para cursar engenharia.



De fato, a estrutura educacional brasileira acabou privilegiando as ciências humanas, não é exatamente por uma questão de idealismo, mas por serem cursos de mais baixo custo, além de minimizar as deficiências predominantes dos alunos em matemática, física e química, que são as ciências básicas que mais criam valor quando associadas ao processo produtivo.



Esse é um importante ponto de explicação das dificuldades brasileiras em termos de competitividade industrial e científica.

A correção desse problema só ocorrerá na medida em que o ensino científico for priorizado realmente nas escolas, o que, acima de tudo, envolve cursos de formação de professores de padrão mais elevado.

Estamos diante de um projeto cujos resultados efetivos transcende o intervalo de tempo de uma ou duas gestões de presidente da república. Por conta disso, dificilmente tal questão será abordada com seriedade nos debates eleitorais que agora estão iniciando.



Aí a Jabulani não tem culpa nenhuma: ela está parada na marca do pênalti, a goleira sem goleiro, mas ninguém chuta a bola pois, mesmo sem chance de erro, a trajetória é longa demais para que o goleador espere ouvir o grito de gol da torcida. Pena!







Curtas







1) Memórias Sacanas - Os EUA e a União Européia saíram na frente e nessa semana foram seguidas pelo Brasil que iniciou, através da Secretaria de Direito Econômico, processo judicial contra 12 fabricantes de memórias para computadores e celulares, acusadas de formação de cartel. Em média, aqueles circuitos impressos respondem por 6% do custo de um computador. Estimativas iniciais dão conta que o preço está inflado em cerca de 20%. Mas o que deve estar realmente atraindo o governo brasileiro foram os US$ 326 milhões que o executivo dos EUA arrecadou em multas do “clubinho”.







2) Quebradeira dos Bancos – Até a semana passada 83 bancos já haviam quebrado nos EUA em 2010. A projeção para o final do ano chega a 140 bancarrotas. Sinal de que a crise financeira iniciada há quase dois anos ainda continua a assombrar...







3) Promessas da China – Pela milionésima vez o banco central chinês prometeu desatrelar a sua moeda (Yuan) do dólar. Lógico que as autoridades do país não permitiram que isso aconteça, pelo menos de forma relevante; que realmente amenize as artificiais vantagens comerciais dos produtos exportados a partir da China. Afinal, é dessa maneira que o Partido Comunista de Mao Tse Tung está mantendo boa parte de 1,3 bilhão de pessoas de barriga cheia.







4) Os Tablets Dominarão o Mundo? – Mesmo que tenha sido duramente criticado desde o seu lançamento, o iPad (da Apple) já está provocando mudanças radicais na indústria global de computadores. De acordo com a consultoria Forrester, daqui a 5 anos 25% das máquinas do gênero serão do tipo idealizado por Steve Jobs. Isso se não surgirem novidades para mudar tudo... o que não é nada improvável.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Dia da Coréia do Norte

1) Nesses primeiros dias da Copa do Mundo, os assuntos da economia estão tão magros quanto o placar dos jogos, com exceção da surra que os alemães aplicaram nos australianos. E daqui a pouco é a vez do Brasil entrar em campo contra a seleção mais fraca do certame: a Coréia do Norte, cujo técnico atribui as chances de vitória de seu time pelo uso da força mental. Será que o campo vai virar um tatame de artes marciais. Vamos esperar para ver... Mas até agora, o que se viu predominantemente foram jogos com nível técnico equilibrado e um tanto quanto burocráticos. Saudades do futebol arte...

2) E as movimentações da economia também estão chatas, burocratizadas. Entretanto, a falta de assunto no noticiário permite que apareçam assuntos secundários, ou até importantes, mas com interpretação, diríamos, um tanto quanto amalucada. É o caso da previsão da Pesuisa Focus (Banco Central) que avalia o crescimento do PIB brasileiro de 2010 entre 7% e 8,1%. Isso ocorreu no embalo da publicidade dada ao produto interno bruto do primeiro trimestre, o qual chegou a quase 9% por conta de uma base comparativa deprimida (entre janeiro e março de 2009) que se propagará até o terceiro trimestre, quando os percentuais de aumento do PIB serão mais generosos. O problema de coerência vai ficar mesmo para o último trimestre do ano, quando o desempenho da economia brasileira deverá ser comparado com igual período de 2009, época na qual a fase mais aguda da recessão global já havia passada e a estrutura produtiva nacional já se encontrava em franca recuperação.

3) E na contra-mão de tal expectativa, temos alguns elementos bem consistentes para antever o arrefecimento da questionável disparada da economia brasileira. Em primeiro lugar, a Selic subiu na semana passada, fazendo com que o nosso país reassuma seu tradicional posicionamento de juros mais altos do mundo. O segundo ponto diz respeito à queda da produção industrial em abril diante de março e intensidade bem mais forte do que o esperado. Se o fenômeno se repetir em maio, o indício de problemas passará a ser encarado como preocupação de grande importância. Finalmente, não se pode desprezar a pesquisa da Serasa que atesta a alta da inadimplência das pessoas físicas pelo sétimo mês consecutivo. Com a elevação de juros, esse indicador corre o sério risco de se acelerar, repercutindo em aumentos ainda maiores do custo do dinheiro, o que é péssimo para quase todos.

4) Que o Brasil goleie a Coréia do Norte. Se o hexa vier, a sociedade brasileira até aceita uns pontos percentuais a menos no crescimento do PIB. É mais ou menos como o moleque meio burro na escola... Tira notas medianas ou ruins; mas se é bom de bola, tá perdoado.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Lorota Industrial

Na postagem anterior desse blog (O Pibão Gabola e a Alta de Juros) foi provado que o aumento do PIB brasileiro no primeiro trimestre não tinha nada de espetacular. Trava-se apenas de uma comparação da atividade econômica com o período de recessão mais agudo dos últimos anos, causado pela crise financeira internacional iniciada em setembro de 2008 e que, aparentemente, ainda está longe de ser definitivamente equacionada.

Agora, avaliando os dados mais recentes – de abril – da produção industrial nacional, além de confirmar a desmistificação de um Brasil crescendo em ritmo chinês, temos indícios de que as fábricas do país estão iniciando uma dinâmica de desaceleração, que tem bons motivos para se ampliar nos próximos meses.

Mas para entender tal situação, primeiramente devemos analisar de forma correta os números que expressam o desempenho do setor.

O que tem sido mais badalado na imprensa é o resultado expresso na coluna avermelhada da próxima tabela, que mede a variação da produção industrial entre abril de 2010 e o mesmo período de 2009. A visão que se tem é maravilhosa. Todos os estados crescendo dois dígitos, com exceção do Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro.

Entretanto, na coluna azul, ao compararmos o último dado do IBGE com o que aconteceu exatamente há dois anos, a situação fica bem menos eufórica. Dos 13 estados pesquisados, 6 registraram queda do indicador – coincidentemente os mais industrializados do Brasil. Os destaques realmente positivos se resumiram a Goiás, Pernambuco e Ceará, cujas fábricas, aparentemente, resistiram muito bem ao impacto da crise global iniciada em setembro de 2008.

Ou seja, o crescimento “chinês” – como os ufanistas estão falando – não passa da conseqüência da comparação da produção com uma base deprimida. Crescimento para valer, isso não existiu.
 
Até que tal tipo de lorota é perdoável em períodos eleitorais, já que na política brasileira vale tudo pela busca de votos. A mentira é algo corriqueiro.
 
Mas a questão realmente preocupante diz respeito ao desempenho mais recente da produção industrial dos estados brasileiros. Em abril último, na comparação com março, o indicador caiu 6,4% em termos nacionais, só registrando crescimento em Goiás. Nas demais unidades da federação, a atividade das fábricas despencou, conforme mostra a coluna verde.

Tal resultado não é surpreendente. Isso sempre tende a ocorrer no período em questão e é chamado pelos economistas de sazonalidade. O problema é que essa queda esperada da produção industrial deveria ser bem menor do que realmente foi. Por exemplo, ao nível nacional, a retração do indicador na comparação em foco – na média dos últimos 19 anos – foi de 2,95% (coluna cinza). Entretanto, a queda entre abril e março de 2010 chegou a 6,4% (mais do dobro), gerando uma diferença negativa (coluna laranja) de 3,55% entre o que deveria ser e o que acabou realmente acontecendo.
 
Em resumo, de todos os estados pesquisados, apenas Goiás e Espírito Santo acabaram registrando melhoria de performance no período. De resto, o desempenho industrial do país foi negativo. E o mais preocupante é que estamos falando de um dado dos mais atuais; de aproximadamente 40 dias atrás.

A diferença negativa mais pronunciada no Amazonas deixa a pista de que o fenômeno está sendo muito influenciado pela retração da produção de eletroeletrônicos e linha branca, provavelmente por conta da alta do IPI. Mas essa é questão para outra análise.
 
O importante, nesse momento, é ter claro que a indústria brasileira mostra sinais importantes de fraquejar nas últimas semanas e a recente alta da Selic pode - ao longo dos próximos meses - agravar ainda mais a situação.

Mas nada disso supera, em importância, o inicio da Copa do Mundo.

Boa sorte a todos nós!


Curtas



1) Sinal de alerta: a inadimplência dos consumidores subiu 1,9% em maio último diante do mesmo período do ano anterior. Na comparação com abril, a alta foi de 4,3%. O adiantamento do 13º salário deve amenizar a situação nas próximas semanas. Entretanto, fica uma leve desconfiança de que o desempenho do setor de crédito será mais modesto nos próximos tempos.

2) De acordo com a ANAC, o preço médio das tarifas aéreas no Brasil caiu 20,5% em março último diante do mesmo mês de 2009. Prova irrefutável de que a concorrência favorece o bolso do consumidor. Imagine quanto seria o preço do combustível caso a Petrobrás não fosse a monopolista absoluta do setor.



quinta-feira, 10 de junho de 2010

O “Pibão” Gabola e a Alta dos Juros

Em certos momentos, ao ler as principais manchetes do noticiário nacional, lembro dos anos de chumbo. Naquele período entre os governos Costa e Silva e Médici, ao mesmo tempo em que a ditadura baixava o cacete em quem ousasse questionar a “revolução”, a propaganda ufanista poluía nossos ouvidos, olhos e corações (dos mais bobões). Slogans como “Esse é um País que vai para Frente” ou “Ninguém Segura a Juventude do Brasil” ocupavam lugar de destaque nos outdoors das cidades e no vidro traseiro dos carros. E ai de quem fizesse alguma piadinha sobre tais máximas!

Voltando aos dias atuais, o aumento do PIB do primeiro trimestre de 2010 é vendido como o grande golaço do governo federal nesses dias que antecedem a Copa do Mundo. Mas vamos aos fatos: se os números do IBGE estiverem corretos, é inegável que o produto interno bruto brasileiro registrou a expansão de 8,95% entre janeiro e março desse ano e o mesmo período de 2009.

Porém, tal verdade tem lá seu grau de miopia. Afinal, a comparação feita é em relação a um dos períodos de pior desempenho da economia nacional - 1º trimestre de 2009 – quando o PIB caiu 2,4%. E crescer muito a partir de uma base deprimida é sempre mais fácil, na medida em que a infra-estrutura está lá, prontinha para ser novamente usada depois de uma fase de ociosidade.

Para facilitar a compreensão do leitor, façamos a seguinte analogia. Imagine que um sujeito está construindo uma estrada no meio do mato. Em um determinado momento ele se dá conta de que esqueceu a marmita em um local 2,4 km atrás. Volta, pega o alimento, retorna à frente de trabalho e continua a montar a rodovia. Em seu relatório de trabalho, ao preencher o indicador de desempenho ele declara: hoje avancei 9,8 km. Na verdade, ele omitiu que percorreu uma parte do caminho por um pedaço de estrada já construído (os 2,4% do PIB que foram perdidos no 1º trimestre de 2009). Seu avanço, então, foi de 7,4km. Sujeitinho malandro, hein?

Agora, voltando à economia pura, a verdade mais científica mostra que a economia brasileira cresceu 6,34% entre o primeiro trimestre de 2008 e os três primeiros meses de 2010. Isso dá uma média anual de 3,12%, o que não tem nada de espetacular. Crescimento chinês? Só se esse percentual dos dois anos chegasse a 18,7% (média anual de 8,97%). Sem rodeios, a gabolice da propaganda oficial inflou em quase três vezes o resultado do desempenho econômico brasileiro, ao comparar a nossa performance com a chinesa. Em tempo: no período de real relevância para comparação (primeiro trimestre de 2008 frente a igual período de 2010), a indústria de transformação brasileira cresceu apenas 1,78%; e a agricultura recuou 0,22%. O crescimento chinês só foi verdade na intermediação financeira (bancos), com expansão de 18,57%. A arrecadação de impostos sobre produtos também foi boa: aumento de 8,57%. Ou seja, estamos falando de um crescimento que não interessa à maioria da sociedade civil brasileira.

Mas o mais sério disso tudo é que o resultado, diríamos, impreciso, do crescimento do PIB de 9,8% ter embasado o Conselho de Política Monetária a subir os juros básicos brasileiros (SELIC) para 10,25% ao ano, enquanto a produção industrial já mostra sinais de queda e a inflação está em recuo.

O “Pibão Gabola”, então, é uma excelente peça de marketing. Fiquemos todos eufóricos. Vamos saborear o momento. Mas rápido! Pois o horizonte mostra a formação de nuvens tempestuosas.

P.S. Insisto: ainda acho que tem gente grande dentro do próprio governo federal que quer minar a candidatura de Dilma Rousseff. Subir juros a 4 meses das eleições – e ainda sem razão evidente para isso – é pedir para perder a eleição. Claro que a situação envolve a dependência brasileira dos especuladores externos. Mas esse é tema para outra conversa.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Eleição e Economia em Ritmo de Copa do Mundo

1) A Copa do Mundo é realmente um fenômeno global. Mesmo antes de começar o certame, o desespero do dia a dia acaba cedendo espaço para as preliminares do maior espetáculo esportivo do planeta, cujo interesse, de acordo com as redes de TV, supera até as olimpíadas. Na expectativa do próximo campeão, parece que os grandes problemas econômicos do Mundo e do Brasil tomaram uma dose de analgésico e passaram a incomodar menos do que há algumas semanas. E talvez isso seja bom. Afinal de contas, a crise fiscal na Europa e dúvidas a respeito da consistência do crescimento econômico brasileiro estavam causando sérias dores de cabeça em governos, empresários, sindicatos e outras categorias.

2) Entretanto, o analgésico – apesar de mascarar a dor – é completamente estéril no tratamento efetivo das doenças que causam o sofrimento. Assim, nessa segunda-feira, as bolsas européias mostram que o quadro clínico do Velho Continente ainda está longe de ser tranqüilo: o pregão de Atenas fechou com queda de 5,5%; Lisboa recuou 0,39%; Madri –1,44%; Paris – 1,21%; Frankfurt, -0,51%; e Londres, -1,11%. A raiz da neurose européia é a Hungria. Só porque eles ficaram de fora da Copa, resolveram estragar a festa alheia e expor seus podres de instabilidade fiscal... As porcarias da British Petroleum no Golfo do México também estão tendo sua parcela de culpa na situação.

3) Já no Brasil, a queda do Euro está servindo de desculpa para o Dólar subir. Mas essa relação não é tão direta assim. O que na verdade ocorre é que os prejuízos das bolsas européias fazem os investidores tirarem seu dinheiro do mercado de ações e títulos brasileiros para cobrir prejuízos em outras operações, ou simplesmente para guardar o dinheiro em local mais seguro (como o Tesouro dos EUA, por exemplo). Isso é muito bom para os exportadores de nosso país. O problema é que o governo federal precisa desse dinheiro para girar com o déficit das contas públicas e não pode admitir saídas muito pronunciadas de capital estrangeiro. Por conta disso – e não da inflação – a SELIC pode subir na reunião do Conselho de Política Monetária que ocorrerá nos próximos dias.

4) Subir juros em plena temporada eleitoral? Seria isso burrice? Não, caso a intenção dos principais líderes do executivo federal seja eleger a oposição para tomar conta do Brasil nos próximos quatro anos. Mas por que isso? Simples! Em primeiro lugar, há fortes rumores de que o país, no ano que vem, entrará em forte crise fiscal. Benefícios terão de ser cortados e investimentos cancelados. Se um partido de esquerda fizer isso, ele vira de direita. Então, a hora seria a de passar o bastão. Outra coisa: no ambiente dos bastidores da política nacional tem gente que acredita que caso Dilma Rousseff seja eleita, a carreira de Luiz Inácio da Silva e seus principais aliados estaria condenada à morte. Afinal, o presidente petista, na visão predominante de seus correligionários, deveria ter transformado o Brasil em uma nação socialista e isso não aconteceu. Então, a maior chance do atual presidente voltar com força daqui a 5 anos é simplesmente entregar a batuta para José Serra e confiar que ele faça um governo bem antipático. Caso Rousseff ganhe a parada, o atual presidente tenderá a ter menos importância do que Itamar Franco no governo FHC, sem resguardar proporções.

5) Nesse caso, se eu fosse presidente do país, certamente daria uma colher de chá para o meu opositor... E tal cenário político, de o Presidente Luiz Inácio da Silva tentar, disfarçadamente, eleger José Serra ficará mais flagrante caso a Selic suba nos próximos dias, lembrando que a justificativa inflacionária é, nesse caso de alta de juros, pura balela.

terça-feira, 1 de junho de 2010

O Futuro (Próximo) do Comércio Global

Falta pouco mais de 3 meses para que o estopim que fez explodir a crise financeira mundial complete o seu segundo aniversário.

E ao contrário das previsões mais otimistas, a recuperação do comércio global ainda está longe de ser uma realidade.

De acordo com nossas estimativas preliminares, as importações totais do planeta devem ter chegado, no primeiro trimestre de 2010 a US$ 3,4 trilhões. Tal montante materializa um crescimento de 23,7% diante do mesmo período do ano anterior (período mais agudo da crise), mas é ainda 15% inferior ao comércio internacional verificado em igual espaço de tempo em 2008.

Se considerarmos o apogeu das trocas, entre abril e junho do mesmo 2008, a defasagem vai para 21,6%.

Em palavras mais claras, está faltando cerca de US$ 942 bilhões no mercado internacional. Esse valor, em termos de riqueza global, seria mais ou menos equivalente a tirar o Brasil do mapa.

A boa notícia é que os dados parciais das importações globais computados até março último mostram uma dinâmica de recuperação moderada que, caso continuasse no mesmo ritmo, permitiria a efetiva retomada do crescimento do comércio internacional a partir de meados, ou final do ano que vem.

Por exemplo, as importações dos EUA fecharam o primeiro trimestre deste ano em US$ 440 bilhões, o que é 20,7% superior ao mesmo período de 2009, mas ainda 15% abaixo dos três primeiros meses de 2008. Os principais países de maior participação nas trocas internacionais, que têm dados fechados até março último, estão em situação similar: o Japão registra crescimento de 22,6% frente a igual período de 2009 e queda de 13% diante dos mesmos meses de 2008; a França apura resultados de, respectivamente, 15,2% e -18%.

A China só divulgou informações até dezembro. Assim, no último trimestre do ano passado, o país oriental acumulou alta de 22,3% diante do quarto trimestre de 2008 e crescimento da ordem de 11% frente aos últimos três meses de 2007. Evidentemente, os parâmetros de avaliação para a economia chinesa têm de ser diferenciados, dado o ritmo de expansão do país, que ainda possui larga capacidade de explorar o enorme volume da força de trabalho como fator diferencial de expansão da produção e, conseqüentemente, de negócios internacionais.

Porém, apesar de meio esquecido pela mídia nos últimos dias, a grande incerteza sobre o futuro vem da Europa. O estouro das contas públicas gregas (seguidas da Espanha e Portugal) colocaram em cheque muito mais do que a capacidade do país em gerir suas finanças.

O problema é que para evitar um desastre maior em setembro de 2008, os principais bancos centrais do Velho Mundo seguiram o exemplo dos EUA e bancaram os furos do sistema financeiro através de trilionárias emissões de títulos. Pelo outro lado, os juros caíam para evitar colapso do consumo.

Em outras palavras, o que estava sendo feito era colocar dinheiro bom em negócios provavelmente ruins, sendo que para isso foi necessário pedir valores emprestados, pagando menos do que antes.

A falta de melhores negócios e a grande credibilidade da União Européia fizeram com que tal iniciativa, aparentemente maluca, desse certo naquela época.

Entretanto, o grande susto de cataclismo financeiro já passou. Quem tem dinheiro, aos poucos, vai perdendo o medo e busca fontes mais rentáveis de investimento. E com o fiasco grego, é claro que a desconfiança sobre os títulos em Euro aumentaram. E isso é risco para a atividade econômica mundial.

Nos próximos meses será interessante observar a evolução das importações globais, pois elas expressarão os primeiros efeitos do que poderíamos chamar de segundo round da crise global.
 
Então, vamos aguardar para ver se terão nocautes, ou só umas trocas de tabefes de poucas conseqüências.



 

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Brasil paga pela Crise Grega

Nessa última quinta-feira, o mercado financeiro global viveu mais um daqueles dias perturbadores. As principais bolsas de valores seguiram em queda, enquanto a moeda européia continuava a perder valor frente ao dólar.

Como se sabe, a raiz dessa nova crise está no escancaramento do caos fiscal na Grécia e, em menor gravidade, em Portugal e Espanha.

Mas essa questão ganha mais importância do que o peso econômico dos três citados países na medida em que ela externa uma situação de inconfiabilidade que pode se generalizar pelo planeta.
 
Relembrando, a crise iniciada em setembro de 2008 era de cunho financeiro. Mas para evitar um colapso econômico, os bancos centrais injetaram dinheiro no mercado, bem acima das suas possibilidades normais.

Claro, tal situação aumentou o endividamento das principais moedas do mundo (dentre as quais o euro), ao mesmo tempo em que os juros baixavam para incentivar o consumo.

Em outras palavras a situação é mais ou menos como emprestar dinheiro a juros menores para quem está com maiores chances de quebrar. É um contra-senso, mas isso foi feito para tentar livrar os principais países do mundo de uma grande depressão.
 
E com tal risco em alta, bastou o governo grego admitir estar na pindaíba para que a desconfiança geral aumentasse. Daí começou a corrida dos especuladores para retirar seus investimentos em ativos de menor garantia. No caso, o euro começou a derreter diante do dólar (não tão fortalecido assim), enquanto as aplicações em bolsas de valores também enveredavam para seguidos pregões de baixa.

Mas o que tudo isso tem a ver com o Brasil?
 
Para começar, nosso país não é mais apenas um ilustre desconhecido nas relações internacionais. A posição de grande produtor de commodities e minerais, além da competitividade em alguns segmentos de indústrias, colocam o Brasil dentre as principais economias do mundo, com um mercado consumidor de tamanho bastante respeitável.

Mas acima de tudo, o que chama a atenção para este vasto território da América do Sul é o fato de nosso Banco Central premiar os investidores estrangeiros com as maiores taxas de juros do mundo há mais de 15 anos (com algumas semanas de excessão).

O problema é que ninguém com a cabeça no lugar esquece daquela velha regrinha de mercado: quando a esmola é demais, o santo desconfia. E assim, nos momentos de turbulência internacional, é natural que o mercado financeiro do Brasil acabe sendo mais prejudicado por instabilidades do que os países desenvolvidos, mesmo que as encrencas ocorram por lá.
 
Veja a próxima ilustração. Quando estourou a crise financeira global, em setembro de 2008, o Ibovespa simplesmente despencou, fazendo com que as ações brasileiras tivessem seu preço médio reduzido a mais da metade no período agudo da confusão. Mas a desvalorização das empresas também ocorreu nos principais mercados do mundo, se bem que em patamares mais moderados.
 
Porém, nesse mesmo período, que vai até o final do primeiro trimestre de 2009, às principais moedas internacionais chegaram a se valorizar entre 30% (euro) e 70% (Iene) diante do real.

Fica, então, a indagação: se o Brasil estava fora do eixo mais intenso da crise internacional, por que a moeda do país se desvalorizou tanto?

É verdade que o real estava e está sobrevalorizado. Mas a situação não teve relação alguma com a eventual tomada de consciência do verdadeiro valor da moeda do país. A questão foi muito mais simples: os investidores externos resgataram suas aplicações financeiras e investimentos na bolsa brasileira, seja para cobrir prejuízos em outras praças, ou para fugir de situações de maior risco, expressas por juros várias vezes mais elevados do que a média mundial.


Com o arrefecimento dos ânimos a partir do segundo semestre de 2009, a confiança no Brasil foi gradativamente sendo restabelecida, com a bolsa de valores recuperando o nível anterior ao estouro da bolha especulativa e o real ( via entrada de aplicações estrangeiras) voltando a patamares de supervalorização, para a tristeza dos exportadores e alegria daqueles mais chegados a produtos estrangeiros.

Daí vem a Grécia e reaviva a fogueira da crise internacional. A motivação financeira acabou cedendo espaço para os buracos das contas públicas dos países europeus e, indiretamente, os EUA, que continua a conviver com déficits públicos gigantescos.

E por conta disso, a ilustração a seguir mostra a queda do índice Bovespa sendo acompanhada pela desvalorização do Euro, mas de forma mais branda.
 
O problema é que a situação detonada na Grécia não tem aparentemente nenhuma culpa de fazer com que as demais moedas importantes do mundo ganhassem valor diante do real.

O iene, o iuan e o dólar (escondido, na próxima ilustração, atrás da linha do iuan, pelo fato de as duas moedas estarem inquestionavelmente atreladas) acabaram se valorizando por conta de situação análoga à verificada em 2008: em momentos de turbulência, juros mais altos voltam a representar maiores riscos.

Uma outra forma de ver a questão: o Brasil remunera mais generosamente os investidores estrangeiros, porque está precisando mais de dinheiro do que os outros países. E quem se encontra em tal situação, evidentemente tem chances maiores de, diríamos, falhar com o pagamento. E a resposta dos investidores diante desse quadro é o notório "pernas para que te quero".


Afora isso tem um outro aspecto interessante a se identificar na atual conjuntura de crise.
Acompanhando a próxima ilustração se observa que junto com Brasil, a China vem registrando as quedas mais intensas na bolsa de valores. As praças de Londres, Tóquio e Nasdaq também recuaram, mas de forma menos intensa.

Interessante: o Brasil quase não tinha títulos podres (sub-prime) em setembro de 2008 e acabou penando com a crise especulativa. Agora, não há muitas ligações expressivas entre economia de nosso país e a grega. Mesmo assim, as empresas brasileiras perderam mais valor do que as de países enterrados até o pescoço nas causas da instabilidade internacional.
Moral da história: mesmo não mostrando aparentes sintomas de problemas sérios, a confiabilidade da economia brasileira é ainda menor do que a de nações em situação mais próxima às raízes da crise internacional.

Como isso se explica? EUA, Grã-Bretanha e Japão têm vários laboratórios, centros de pesquisa e universidades que garantem o surgimento de produtos inovadores no mercado, sendo essa a maior fonte impulsora do desenvolvimento. Além disso, predominantemente, esses países têm a tradição de disciplina fiscal (lembrando que o buraco orçamentário norte-americano foi causado pelo governo Bush, exceção à regra das últimas gestões do executivo do citado país).

De acordo com o exposto não fica difícil receitar o caminho para que o Brasil deixe de pagar o pato pelas travessuras gregas, ou de qualquer outro país: a chave da questão está na sustentabilidade econômica.

Isso significa resolver o nó górdio do déficit público nacional, para poder baixar juros de forma relevante; e investir prioritariamente o dinheiro público em frentes geradoras de riqueza, como laboratórios, escolas, infra-estrutura e outras alternativas do gênero.

 
Curtas

1) preste atenção na mutação genética em bactérias a partir da criação de células com genoma sintético. De uma forma simplificada, os cientistas norte-americanos que fizeram isso deram um passo fundamental para criar e moldar a vida em laboratório. Além de mandar dogmas religiosos fundamentalistas para as cucuias, essa revolução do conhecimento abre enorme leque de possibilidades para o futuro da humanidade. Cura de doenças, despoluição e outras coisas legais podem ser facilitadas. O problema é que tal conhecimento pode acabar causando alguns acidentes...

2) até o final de 2010 a google estará lançando a Internet por TV. As redes de telecomunicações que se cuidem, pois essa inovação pode vir a transformar completamente as regras do mercado.